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Museu de Orsay

Fui duas vezes a Paris. Não conheço o Louvre nem cheguei perto da Torre Eiffel. Mas estive no Museu d'Orsay nas duas ocasiões - e irei todas as vezes que voltar a Paris. Com apenas 20 anos de idade, o D'Orsay é discreto, sem fachada mirabolante a competir com o que interessa, o acervo. Ele está numa centenária gare (estação) de trem, que parece ter sido feita para... virar museu. Não é preciso caminhar uma semana, nem mesmo um dia, para ver todas as jóias ali reunidas. É, possivelmente, o museu com a melhor relação satisfação/esforço do mundo. Dentro, nada de arte contemporânea, mas apenas aquela produzida na França nas últimas décadas do século 19 e primeiras do 20. Sim, os impressionistas.

As mulheres gordas de Renoir, as bailarinas e o olhar perdido de absinto da moça de Degas, a boemia de Toulouse-Lautrec, o cochilo no campo de Van Gogh, a série da Catedral de Rouen, de Monet, o circo feito só com pontinhos de tinta de Seurat, algumas taitianas de Gauguin. Sim, você já viu essas imagens antes. Elas são famosíssimas, talvez as mais famosas da história da arte, excluídos a Gioconda, Guernica e alguns outros cubismos de Picasso. Mas agora você as vê no original, a centímetros, com todo o fetichismo que essa experiência impõe, numa seqüência de arrepiar (esses quadros estão quase todos nos mezaninos: comece a visita do alto para o térreo). Se cansar, a vista do Sena dos terraços também pega forte.

POR QUE É IMPERDÍVEL

Porque é lindo. E é o melhor lugar para ver, de uma vez só, as obras dos maiores mestres do Impressionismo e pós-Impressionismo.

COMO FUGIR DE UM MICO

Inicie seu percurso no terceiro andar, onde estão os impressionistas, e vá descendo. Os guardinhas começam a expulsar os visitantes cerca de 20 minutos antes de o museu fechar.

A MELHOR IMPRESSÃO

O fim da tarde pelo vidro do relógio, no último andar.

Fonte: viagemeturismo.abril.uol.com.br

Museu de Orsay

O Orsay representou, desde o início, um duplo desafio: arquitetônico em primeiro lugar, porque ninguém jamais transformou uma estação em museu; museográfico em seguida, porque se tratava de reunir e apresentar em um único lugar todos os aspectos de uma época ainda muito pouco conhecida compreendendo um curto espaço de tempo (sessenta anos) e de uma criação artística abundante com ramificações em todas as direções: pintura, música, artes gráficas, arquitetura, fotografia, artes decorativas, música e cinema.

Uma metamorfose arquitetônica

Da estação ao museu, o percurso foi longo, pitoresco e cheio de armadilhas. Construída em Paris no final do século passado pelo arquiteto Victor Laloux, a estação de Orsay havia sido inaugurada em 14 de julho de 1900, por ocasião da Exposição Universal. Organizada em torno de estruturas metálicas mascaradas por uma fachada de pedras talhadas, ela era a primeira estação criada em função da tração elétrica. Mas, quarenta anos mais tarde, suas plataformas haviam-se tornado curtas demais e progressivamente a estação foi sendo abandonada.

Nova aquisição: Retrato de F.Halphen, filho de Renoir.
Nova aquisição: "Retrato de F.Halphen", filho de Renoir.

Grande nau abandonada, a estação no entanto inspirou os criadores: em 1962 Orson Welles rodou ali O Processo, do romance de Kafka, e a companhia teatral Renaud-Barrault instalou nela seu capitel, em 1972. Sua classificação em 1978 como monumento histórico salvou-a da demolição. Sem dúvida, esse admirável testemunho de uma arquitetura de ferro de outras épocas foi beneficiado pelos protestos suscitados pela destruição em 1971 dos antigos HalIes de Paris, em vista da construção do Centro Georges-Pompidou.

Para a direção dos Museus da França, que procurava um novo local para suas coleções de impressionistas e pós-impressionistas, muito comprimidas no Museu do Jeu de Paume, o Orsay, situado às margens do Sena e quase em frente ao Louvre, era o local ideal. Em 1977, a decisão de dedicar a estação e seu hotel de luxo à arte da segunda metade do século XIX e no início do XX foi tomada pelo presidente Valéry Giscard d’Estaing, confirmada em 1981 por seu sucessor, François Mitterrand. Uma equipe de três arquitetos franceses, sob a orientação da italiana Gae Aulenti, encarregada em 1981 da reforma interna do museu e de todo seu mobiliário, aceitou o enorme desafio de transformar a estação em museu, inaugurado com grande pompa em 1o de dezembro de 1986.

A surpresa foi enorme quando surgiu a imensa nave de Laloux, cujo comprimento - 138 metros - por 32 de altura e 40 de largura, ultrapassa o da Notre-Dame de Paris. Foram suas dimensões excepcionais que permitiram a transformação radical do museu, corno explicou Françoise Cachin, primeira mulher a dirigir um museu dessa importância e que iria se tornar em 1994 diretora dos Museus da França. O Orsay seria "uma plataforma internacional das artes do século XIX", "um grande museu de época, mais do que um simples museu de arte. Sem o edifício, um intento dessa amplitude não teria sido concebido".

Fabulosa amplitude, de fato, porque embora a coleção dos impressionistas que atravessou o Sena continue sendo a rainha do museu, irradiante sob a luz zenital do terceiro andar, numericamente ela representa apenas uma pequena parte de seu acervo. Para constituir e enriquecer as coleções do Orsay, fez-se urna exploração das reservas do Louvre e do antigo Museu de Arte Moderna, desempoeirando obras esquecidas há décadas - inclusive os "bombeiros*" tão depreciados - e contou-se com numerosas doações e uma ativa política de compras abrangendo todas as artes do século XIX na França, na Europa e até nos Estados Unidos.

Um museu pluridisciplinar

Mas, na realidade, onde começa "a arte do século XIX"? A pergunta agita muito o mundo dos museus, e quando a data de 1848 (Revolução e advento da IIª República) foi finalmente escolhida pelo presidente François Mitterrand, os conservadores do Louvre soltaram um "ufa" de alívio: eles poderiam ficar com suas grandes telas de Delacroix! Quanto ao final do percurso, no que diz respeito à pintura ele está situado em 1904, com o magnífico Luxe, Calme et Volupté de Matisse, o restante continuando a ser atributo do Museu de Arte Moderna do Centro Georges-Pompidou. Mas, para o mobiliário e os objetos de arte (mais a fotografia, o cinema e a música), foi escolhida a data de 1914, o que permitiu a apresentação de uma soberba coleção de Art Nouveau, francesa e estrangeira.

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Nova aquisição: "Retrato do artista com Cristo Amarelo" de Gauguin (1889/1890).

Inovações importantes marcaram a concepção do Museu de Orsay: em primeiro lugar o espaço considerável cedido à escultura, suntuosamente instalada no térreo da grande nave central e em outras salas do nível intermediário, criado a cinco metros do solo. Em seguida, a criação de um departamento de fotografia muito desenvolvido e o surgimento, nesse panorama pluridisciplinar das artes do século XIX, do cinema e da música.

Logo que foi inaugurado, o Orsay suscitou inflamadas críticas. Gae Aulenti foi acusada de haver concebido uma necrópole faraônica e os conservadores de haver mesclado o melhor e o pior. Mas o público fez outro julgamento: 4 milhões de visitantes por ano nos dois primeiros anos, número que caiu entretanto com a abertura do Grand Louvre chegando, apesar de um "pico" de 3,3 milhões em 1993, ano da apresentação de Barnes, a 2,3 milhões em 1995.

Dezoito exposições temporárias apresentadas em dez anos (inclusive as dedicadas ao norueguês Edvard Munch, ao americano Whistler ou ainda à "Europa dos pintores") permitiram principalmente que fossem apreciadas as escolas estrangeiras mal conhecidas do grande público. O Orsay também especializou-se na apresentação de pequenas "exposições-dossiês" onde se destaca a vocação documentária e histórica do museu.

Nova aquisição: A Noite Estrelada, Arles de Van Gogh (1880).
Nova aquisição: "A Noite Estrelada, Arles" de Van Gogh (1880).

Desde a abertura do Orsay as coleções enriqueceram consideravelmente, como demonstra a exposição-aniversário dedicada às aquisições dos seis últimos anos: 400 pintores, 1.500 pastéis e desenhos, uma centena de esculturas e medalhas e a mesma quantidade de móveis e objetos de arte, 12.300 fotografias, 5.800 projetos arquitetônicos e de decoração, dentre os quais obras de artistas ingleses, belgas, holandeses, alemães, italianos, suecos, húngaros, tchecos, americanos, que demonstram a preocupação com a abertura para o exterior por parte do atual presidente, Henri Loyrette. Em destaque, L’Autoportrait au Christ Jaune de Gauguin, L’Origine du Monde de Courbet e Les Déchargeurs de Monet.

O Orsay pode também orgulhar-se de ter sido o primeiro museu a ser dotado de um serviço cultural encarregado de fazer a ligação entre o público e as obras, com um esforço particular em relação à recepção aos jovens e um lugar importante para o audiovisual, bem como para as novas tecnologias da informação.

O acervo do Museu de Orsay

As coleções do Orsay compreendem 3.000 pinturas, 360 pastéis, 10.000 desenhos, 14.000 projetos arquitetônicos, 2.400 esculturas, 1.300 móveis e objetos de arte e 31.000 fotografias. Entre as obras primas mais conhecidas do museu estão: Déjeuner sur l’Herbe e Olympia de Manet, Enterrement à Ornans e Atelier de Courbet, La Famille Belleli e La Danseuse Habillée (escultura) de Degas, La Femme à la Cafetière e Portrait de la Mère de l’Artiste de Cézanne. La Source de lngres, La Pie e Le Déjeuner sur I’Herbe de Monet, Le Moulin de la Galette de Renoir, L‘Arlésienne e L’Eglise d’Auvers de Van Gogh, Le Cirque de Seurat, La Mère de Whistler, Rosiers sous les Arbres de Klimt, L‘Age Mûr de Camille Claudel; Les Parlementaires do caricaturista Daumier (esculturas) e uma importante coleção de nabis (Bonnard, Vuillard, Maurice Denis, Félix Valloton).

Fonte: www.ambafrance.org.br

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